Folha, contratos e obras no radar: como o TCE-MG cruza dados das prefeituras
- 28/10/2026 · por Paula Cruvinel · 4 min de leitura
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais não espera mais a auditoria presencial para encontrar sinais de problema nas contas municipais. Boa parte desse trabalho começa no cruzamento de bases de dados, feito por uma unidade própria de inteligência. Foi esse o tema que dominou o último dia da XII Jornada de Contabilidade Pública, realizada na sede do Tribunal, em Belo Horizonte, no dia 21 de outubro de 2026.
Conforme publicado no portal do TCE-MG, a auditora de controle externo Isabella Pimentel apresentou o trabalho do Suricato, a unidade de inteligência de dados do Tribunal, durante a palestra "Estruturação e Fortalecimento do Controle Interno nos Municípios".
O que o Tribunal monitora
Segundo a apresentação, o Suricato cruza informações para apontar situações que exigem atenção dos gestores em cinco áreas: despesas com pessoal, licitações, contratos, orçamento e obras públicas.
Na folha de pagamento, os exemplos citados foram possíveis casos de acumulação de cargos, pagamentos a pessoas já falecidas e servidores que passaram da idade da aposentadoria compulsória. Os resultados orientam ações de fiscalização e pedidos de esclarecimento enviados aos municípios.
O próprio Tribunal faz uma ressalva importante: a identificação de uma situação atípica não significa, necessariamente, que exista irregularidade. Na prática, porém, cada alerta vira uma pergunta que a prefeitura precisa responder com documentos, e quem responde bem é quem já conhece os próprios dados.
Municípios sem controle interno registrado
A palestra também trouxe o resultado de uma trilha de fiscalização sobre as estruturas de controle interno das prefeituras mineiras. O número de municípios sem registro dessas unidades nas bases analisadas pelo Tribunal caiu de 129, em 2025, para 95 em maio de 2026 e 66 em agosto de 2026.
A queda mostra que o acompanhamento por dados produz efeito. E também indica que dezenas de municípios ainda aparecem para o Tribunal sem uma estrutura formal de controle interno registrada.
O que os especialistas recomendaram
Outros palestrantes trataram do funcionamento das controladorias. O controlador interno do TCE-MG, Henrique Quites, apontou municípios em que o trabalho fica concentrado em um único profissional, além de desafios de autonomia, composição das equipes e continuidade.
O contador e professor Milton Mendes defendeu que as controladorias planejem suas atividades a partir dos riscos, com objetivos, responsáveis, prazos e acompanhamento definidos. Ele destacou folha de pagamento, execução de contratos e gestão do patrimônio como áreas que merecem atenção, e lembrou que a fiscalização não deve parar na identificação do problema, mas acompanhar as correções.
Já o controlador-geral de Ouro Branco, Alex Araújo, mostrou como reorganizou uma controladoria de seis pessoas que cuida de auditoria, ouvidoria, transparência e controle interno. A equipe usa métodos de gestão ágil para distribuir tarefas e acompanhar pendências, ferramentas de visualização de dados e inteligência artificial como apoio na revisão do planejamento.
Como a prefeitura pode se antecipar
Se o Tribunal olha para os dados, o controle interno do município pode olhar para os mesmos dados antes dele. Algumas providências ajudam:
- Conferir a folha todo mês, cruzando a lista de servidores com bases de óbitos, idades e outros vínculos públicos.
- Manter a unidade de controle interno formalizada e registrada, com responsável nomeado e normas atualizadas.
- Montar um plano anual baseado em riscos, começando pelas áreas que o Tribunal já monitora.
- Registrar as respostas e as correções, para que cada pedido de esclarecimento tenha documentação pronta.
- Publicar com qualidade. Licitações, contratos, despesas e folha divulgados de forma completa e organizada no portal da transparência facilitam a conferência interna e reduzem dúvidas de quem fiscaliza.
Esse último ponto costuma ser subestimado. Quando os dados publicados no portal batem com os enviados ao Tribunal, a prefeitura ganha um instrumento de autocontrole e mostra que o controle interno está funcionando.
Onde a DEC pode ajudar
A DEC Soluções Digitais desenvolve portais de transparência para prefeituras, câmaras, consórcios e institutos de previdência desde 2013, com mais de 150 portais entregues. Se a sua equipe quer revisar como licitações, contratos, despesas e folha estão publicados, ou organizar essas informações de forma que o controle interno consiga conferir com facilidade, fale com a gente. Podemos fazer um diagnóstico do portal atual e mostrar o que dá para melhorar.
Fontes
- TCE-MG, 21/10/2026: Uso de dados no controle interno é destaque em programação no TCE
- TCE-MG, 10/09/2026: II Seminário de Controles Internos reúne mais de 750 pessoas em BH
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