Quando a contratação de portal público cabe em dispensa: limites, modalidades e o que o setor de compras precisa saber
- 25/09/2026 · por Paula Cruvinel · 3 min de leitura
O que mudou com a Lei 14.133
A nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei 14.133/2021) manteve a dispensa por valor, mas atualizou os limites e criou a Dispensa Eletrônica — um processo simplificado feito em plataforma digital, com cotação de ao menos três fornecedores.
Os limites de dispensa por valor são atualizados periodicamente por decreto. Para obras e serviços de engenharia, o limite é diferente dos demais bens e serviços. Para consórcios públicos, o limite é dobrado.
Quando a contratação de portal cabe em dispensa
Para a maioria dos municípios com até 50 mil habitantes, o valor anual de um portal institucional com Diário Oficial, Transparência, e-SIC e hospedagem fica dentro do limite de dispensa para serviços em geral.
Isso significa que o processo pode ser conduzido sem pregão — com cotação direta, justificativa de preço e publicação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) para contratos acima do limite de publicação obrigatória.
O que o processo de dispensa precisa ter
Documento de formalização de demanda (DFD) Descrição do que o órgão precisa contratar, com justificativa da necessidade e vinculação ao planejamento.
Termo de Referência ou Aviso de Contratação Direta Descrição técnica do objeto, prazo, obrigações das partes e critério de julgamento. Para dispensa eletrônica, o aviso substitui o TR simplificado.
Pesquisa de preços Ao menos três cotações ou pesquisa no banco de preços do governo. A pesquisa precisa ser documentada e arquivada.
Justificativa de escolha do fornecedor Por que esse e não outro. Nos casos de dispensa por valor, a escolha pelo menor preço adequado é suficiente — mas precisa estar escrita.
Publicação no PNCP Contratos acima do limite de publicação obrigatória precisam constar no Portal Nacional de Contratações Públicas. A data de publicação marca o início do prazo para impugnação.
Publicação no Portal da Transparência O contrato precisa estar publicado na seção de contratos do portal, com número, objeto, fornecedor, valor e vigência.
O que o fornecedor precisa entregar para o setor de compras
Para montar o processo, o setor de compras do órgão precisa receber do fornecedor:
- Proposta formal com valor, escopo detalhado e prazo
- Dados cadastrais: razão social, CNPJ, endereço
- Certidões negativas: Federal, Estadual, Municipal, FGTS e Trabalhista
- Atestados de capacidade técnica com outros órgãos atendidos
- Descrição técnica de cada módulo em linguagem de Termo de Referência
Um fornecedor sério entrega tudo isso sem que o setor de compras precise pedir duas vezes. A ausência de qualquer certidão ou atestado pode travar o processo ou gerar apontamento em auditoria.
A dispensa eletrônica na prática
A maioria dos estados já tem plataforma própria de dispensa eletrônica ou aceita o uso da plataforma federal (gov.br/compras). O processo é:
- Órgão publica aviso de contratação direta na plataforma
- Fornecedores enviam propostas no prazo estipulado (normalmente 3 dias úteis)
- Órgão analisa propostas e habilitação do mais vantajoso
- Adjudicação e homologação
- Publicação no PNCP e no Portal da Transparência
O prazo total pode ser de uma a duas semanas — bem menor que um pregão.
O que o TCE avalia
Os Tribunais de Contas têm fiscalizado contratos de TI com mais frequência. Os principais apontamentos em contratos de portal e sistema:
- Ausência de pesquisa de preços documentada
- Contrato sem publicação no PNCP (quando obrigatório)
- Atestados de capacidade técnica insuficientes ou ausentes
- Escopo do objeto mal definido no TR (o que foi contratado não corresponde ao que foi entregue)
- Ausência de gestor de contrato formalmente designado
Precisa de ajuda com esse assunto?
Fale com a equipe da DEC e receba um diagnóstico gratuito da situação do seu órgão ou da sua empresa.