TRANSPARÊNCIA

Resultado do PNTP 2026 sai em 10 de novembro: o que o portal precisa manter até lá

  • 29/10/2026 · por Paula Cruvinel · 5 min de leitura
Resultado do PNTP 2026 sai em 10 de novembro: o que o portal precisa manter até lá

Prefeituras, câmaras, consórcios e institutos de previdência que participaram do Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP) deste ano já têm data para conhecer a própria nota. Conforme publicado no portal da Atricon, a associação que reúne os membros dos Tribunais de Contas, a divulgação oficial dos resultados do ciclo 2026 está marcada para 10 de novembro, no Radar Nacional da Transparência Pública.

Até essa data, porém, o resultado não está fechado. O programa passa agora pela etapa chamada de Garantia da Qualidade, e é ela que explica por que vale a pena olhar o portal com atenção nas próximas duas semanas.

O que é a etapa de Garantia da Qualidade

Depois que cada Tribunal de Contas valida as evidências enviadas pelos órgãos, os portais que alcançaram requisitos para algum nível de certificação passam por uma revisão adicional. Essa fase é regida pela Portaria Atricon 61/2026, que criou uma comissão própria para conduzir o trabalho. Segundo a Atricon, o objetivo é uniformizar a aplicação dos critérios e dar mais consistência, comparabilidade e confiabilidade aos resultados.

O cronograma divulgado pela associação foi este:

  • revisão preliminar dos portais, de 1º a 25 de setembro;
  • manifestação dos Tribunais de Contas, de 28 de setembro a 9 de outubro;
  • análise dessas manifestações, de 13 a 23 de outubro;
  • divulgação oficial dos resultados, em 10 de novembro.

Dois pontos do comunicado merecem atenção do gestor. O primeiro é que índices, classificações e níveis de certificação ainda podem mudar nessa etapa, e os resultados ficam em sigilo até a divulgação oficial. O segundo é que a comissão avalia a situação das informações na data da revisão, porque os órgãos têm o dever de manter os dados permanentemente atualizados. Em outras palavras, um item que estava em dia quando a evidência foi anexada, mas ficou desatualizado depois, pode pesar contra.

O que pesa na avaliação

De acordo com a página oficial do programa, a matriz do ciclo 2026 tem 181 critérios distribuídos em 22 dimensões. Desses, 110 são obrigatórios, 59 são recomendados e 12 são essenciais, que têm peso maior na classificação. Cada critério é comprovado com documentação anexada pela própria entidade e validado pelo Tribunal de Contas.

A nota também considera a forma como a informação aparece. Disponibilidade e atualidade pesam 30% cada, a série histórica pesa 20%, e a possibilidade de gravar relatórios e de usar filtros de pesquisa pesa 10% cada. Por isso, não basta a informação existir: ela precisa estar atual, ter histórico e permitir que o cidadão filtre e baixe os dados.

Os selos e o retrato do ciclo anterior

O PNTP classifica as entidades pelo percentual de critérios cumpridos. Os níveis que dão selo são Diamante, Ouro e Prata. Abaixo deles ficam os níveis Elevado, Intermediário, Básico, Inicial e Inexistente.

Na distribuição do ciclo anterior publicada no portal do programa, 998 entidades ficaram no nível Diamante, 1.082 no Ouro e 832 no Prata. Outras 3.782 ficaram no nível Intermediário, o mais numeroso, e 122 foram classificadas como Inexistente. O número mostra que a maior parte dos órgãos avaliados ainda está longe de um selo.

O que fazer até 10 de novembro

Como a revisão considera o portal como ele está, algumas verificações simples ajudam a evitar surpresa:

  • conferir se receitas, despesas, licitações, contratos e folha estão atualizados até o mês mais recente;
  • testar os filtros de pesquisa e a exportação de relatórios em formatos abertos;
  • verificar se a série histórica dos anos anteriores continua acessível, sem links quebrados;
  • revisar páginas que costumam ficar paradas, como estrutura organizacional, agenda, perguntas frequentes e serviço de informação ao cidadão;
  • garantir que o portal esteja no ar e estável, já que uma página fora do ar no dia da checagem equivale a uma informação ausente.

E depois do resultado

Quando a nota sair, ela vale mais como diagnóstico do que como troféu. O relatório mostra quais critérios não foram atendidos e ajuda a montar o plano de 2027, inclusive com a definição de responsáveis por cada área do portal. Para quem não participou do ciclo ou ficou nos níveis mais baixos, o resultado é um bom ponto de partida para conversar com o controle interno e com o Tribunal de Contas sobre o que corrigir primeiro.

Leia também: Nota zero na transparência: o alerta do TCE-MG para prefeituras e câmaras que não participam do PNTP

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Fontes

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